Um contrato importante para o futuro do futebol brasileiro foi assinado. Na manhã desta sexta-feira (8), o Grupo Globo comunicou oficialmente que chegou a um acordo pelos direitos de transmissão dos clubes da LIBRA para o Campeonato Brasileiro entre os anos de 2025 e 2029. O Grêmio faz parte desse grupo, que tem ainda Flamengo, Atlético-MG, Bahia, Palmeiras, Red Bull Bragantino, São Paulo e Vitória, como clubes da Série A.

Havia grande expectativa por conta das indefinições envolvendo a LIBRA e a LFF (Liga Forte Futebol) e também sobre os rumos que cada bloco decidirá tomar a partir das negociações com as emissoras de televisão. Vale lembrar que os clubes da LFF ainda não fecharam acordo pela transmissão dos seus jogos.

O acordo assinado pelos clubes da LIBRA prevê aumento nas receitas, mas existem alguns detalhes importantes no que diz respeito a distribuição de receitas e também sobre valores que podem entrar de forma imediata.

Os detalhes do contrato da Globo com Grêmio e LIBRA

Saída do Corinthians

A oficialização do contrato trouxe uma notícia bastante relevante: O Corinthians está fora da LIBRA. Agora, o clube paulista tem 2 caminhos: Negociar seu contrato de forma isolada ou ingressar na Liga Forte Futebol, com conversas já em andamento.

A saída do Timão representou uma redução de 11% no valor que a Globo aceitou pagar para os clubes da LIBRA. Se a primeira oferta era por R$ 1,3 bilhão, passou agora para R$ 1,19 bilhão, mas também deve render mais dinheiro aos clubes que ficaram.

O Corinthians era o clube que teria o 2º maior valor de receita, atrás apenas do Flamengo. Foi justamente este o motivo que fez o clube paulista buscar outras opções.

Corinthians se retirou da LIBRA. (Foto: Divulgação / Corinthians)
Corinthians se retirou da LIBRA. (Foto: Divulgação / Corinthians)

Valores pagos pela LIBRA aos clubes

O valor total do acordo prevê o pagamento de cerca de R$ 6 bilhões pelos 5 anos de contrato de TV. Serão ainda mais R$ 600 milhões disponibilizados para os clubes como forma de adiantamento (bonificação) e que naturalmente, terá como consequência menor valor distribuído ao longo dos anos.

O valor anual pago pela LIBRA, que é de R$ 1,2 bilhão, será dividido em:

  • 40% fixo e dividido de forma igualitária entre os clubes;
  • 30% de acordo com o desempenho no campeonato;
  • 30% de acordo com a audiência medida

Sobre os R$ 600 milhões de possível adiantamento, ainda não está confirmado se a divisão desta fatia é igual ou se será proporcional.

Quanto o Grêmio vai receber?

Considerando o valor de R$ 1,2 bilhão para o bloco todo, o Grêmio teria direito a R$ 53,3 milhões fixos, anuais. O restante da quantia será pago de acordo com a posição na tabela ao fim do campeonato e também de acordo com o número de assinaturas do pay-per-view e audiência nos jogos.

Em 2023, por exemplo, o tricolor recebeu aproximadamente R$ 170 milhões, contando com a premiação pelo 2º lugar e mais de R$ 56,9 milhões da renda do pay-per-view.

Fluxo de transmissão dos jogos

Graças a lei do mandante, implementada em setembro de 2021, os clubes possuem autoridade apenas para negociar os direitos de transmissão dos jogos em que são mandantes. Por isso, mesmo se não tiver contrato assinado com outras emissoras, terão seus jogos transmitidos se, quando atuar como visitante, seu adversário tiver um acordo diferente.

Para a edição 2024 do Brasileirão, a LIBRA terá 9 clubes do seu bloco, ou seja, terá direito de negociação para 171 jogos, o que corresponde a 45% da totalidade. Entretanto, a expectativa é de que a partir de 2025, o número de clubes do bloco aumente e com isso, a LIBRA seja dona da maior fatia das partidas.

Por fim, é importante dizer que todo este novo acordo entrará em vigência apenas em 2025. Para este ano, segue o contrato que foi assinado em 2019.

Criação de uma liga segue em pauta, mesmo distante

Paralelamente a isso, existe a pauta da criação de uma liga, ou seja, os clubes se unirem para organizar o campeonato. Entretanto, a assinatura do contrato da LIBRA com a Rede Globo torna improvável que o tema realmente tenha avanço, já que em todos os países do mundo que adotam este modelo, a compra dos direitos de transmissão garante acordo com todos os clubes.