O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou três torcedores do Internacional por crime de injúria racial durante o GreNal 443. O clássico foi disputado no estádio Beira-Rio, em outubro de 2024. Ainda cabe recurso da decisão.
Os réus receberam penas superiores a três anos. Daniel Antunes Miranda e Raul Miranda foram condenados a três anos e três meses. Já Rodrigo Feijó Bicca recebeu pena de três anos e seis meses. O cumprimento será em regime aberto, com prestação de serviços à comunidade e pagamento de multa equivalente a dois períodos mínimos.
Imagens e denúncias deram origem ao processo
O caso teve início após o clássico, quando vídeos começaram a circular nas redes sociais. As imagens mostram gestos racistas direcionados aos torcedores do Grêmio no setor visitante.
Dois boletins de ocorrência foram registrados por gremistas. A partir disso, a investigação avançou. A Polícia Civil indiciou os envolvidos, e o Ministério Público apresentou denúncia em fevereiro de 2025.
Durante o processo, foram ouvidas vítimas, testemunhas e os próprios acusados. Imagens fornecidas pelo clube ajudaram na identificação dos torcedores, ligados a uma organizada.
Justiça aponta gestos e ofensas racistas
Na sentença, a juíza destacou que os gestos feitos pelos réus têm histórico de uso racista. Entre eles, o ato de esfregar o braço e o bico para torcedores negros, além de imitações de macacos e insultos verbais.
O entendimento da Justiça é de que houve intenção clara de ofender pessoas por causa do cor da pele. Segundo a decisão, os vídeos e os relatos das vítimas confirmaram a prática do crime.
Defesas foram repreendidas
Os acusados apresentaram versões diferentes. Um deles afirmou que fazia gestos para chamar seguranças. Outro disse que mostrou uma tatuagem. Já o terceiro alegou que repetiu um gesto popular no esporte.
A juíza considerando as explicações inconsistentes. Para ela, as provas reunidas foram suficientes para comprovar a lesão racial.
Caso reforça o combate ao racismo no futebol
A decisão reforça o posicionamento da Justiça contra atos racistas nos estádios. Mesmo sem palavras, gestos também podem configurar crime, quando direcionados de forma ofensiva.
O episódio serve de alerta para o futebol brasileiro. Casos como esse seguem sendo comunicados dentro e fora de campo.
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