O Grêmio segue com uma pendência financeira importante com o Cascavel, clube responsável pela formação de Bitello. A dívida está relacionada à venda do meia para o futebol russo, realizada em 2023, e atualmente chega a R$ 6.842.122,97, considerando as correções.
Na sexta-feira (21), o presidente do Cascavel, Valdinei Silva, voltou a cobrar publicamente o Tricolor. Em entrevista à Rádio Gaúcha, o dirigente criticou a situação e demonstrou preocupação com o plano apresentado pelo Grêmio para organizar suas dívidas.
Grêmio deve R$ 6,8 milhões ao Cascavel
Bitello foi negociado pelo Grêmio em 2023 por 10 milhões de euros, valor que correspondia a aproximadamente R$ 52 milhões na cotação da época. O Cascavel possuía 30% dos direitos econômicos do jogador. O clube paranaense, porém, afirma que ainda não recebeu todos os valores previstos no acordo.
Em dezembro de 2023, o Grêmio chegou a pagar R$ 10,6 milhões após uma ação na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão ligado à CBF. A segunda parcela, que deveria ter sido quitada em julho de 2024, ainda está pendente.
Cascavel critica plano apresentado pelo Grêmio
Recentemente, o Grêmio apresentou à CNRD um plano coletivo de credores. A proposta reúne clubes, jogadores e empresas do futebol que possuem valores a receber do Tricolor.
O Cascavel é atualmente o maior credor incluído no plano. Ao todo, a relação reúne 23 credores e uma dívida corrigida superior a R$ 15,9 milhões. O presidente do clube paranaense, porém, questionou a possibilidade de aprovação da proposta.
''Se a Comissão Nacional e a CBF acatarem o pedido do Grêmio vai ser um abuso, mais um abuso de poder contra os clubes pequenos. E, mais uma vez, estarão fortalecendo e incentivando a irresponsabilidade financeira, que muito mal tem causado ao futebol brasileiro'', disse Valdinei Silva, em entrevista exclusiva à Rádio Gaúcha.
Segundo o dirigente, o Cascavel tentou negociar diretamente com o Grêmio, mas não teria conseguido avançar nas tratativas.
''Nós fizemos o negócio com o Romildo Bolzan. O Guerra negou a conta. E o Odorico Roman nem nos atende. Ou seja, são tudo farinha do mesmo saco. Maus pagadores'', afirmou.
Dívida atrapalha planos do Cascavel
Valdinei Silva também explicou que a demora no recebimento dos valores interfere nos projetos do clube paranaense. De acordo com o presidente, o Cascavel mantém as contas em dia, mas gostaria de investir mais na estrutura e na formação de jovens jogadores.
''E quando nós temos uma possibilidade de melhorar o nosso CT, de melhorar a nossa condição de trabalho, de poder contratar profissionais melhores para poder formar gente melhor, acontece uma situação dessa.''
O dirigente também afirmou que o clube pretende utilizar os recursos para melhorar as condições oferecidas aos atletas das categorias de base.
Grêmio e Cascavel se enfrentaram em 2026
Apesar da disputa financeira, Grêmio e Cascavel se enfrentaram neste ano durante a intertemporada. Em junho, durante a pausa provocada pela Copa do Mundo, o Tricolor venceu por 2 a 1, em partida disputada no Paraná.
Na entrevista, Valdinei Silva também relembrou uma reclamação gremista sobre as condições do gramado.
'' E quando vieram jogar aqui, reclamaram do gramado. Ué, nos paguem que a gente conserta o gramado'', disse.
Na sequência, o dirigente voltou a cobrar o pagamento da dívida:
''Antes de reclamar do gramado, me pague presidente, o senhor é um caloteiro'', finalizou.
Grêmio não comenta dívida na CNRD
O Cascavel informou que encaminhou uma petição à CNRD, à CBF e à Federação Paranaense de Futebol para tratar da situação. O Grêmio já havia informado que não irá se manifestar publicamente sobre questões relacionadas à CNRD.
Enquanto aguarda a análise do plano coletivo, o clube gaúcho segue trabalhando para reorganizar seus compromissos financeiros e encontrar uma forma de quitar as dívidas com os credores.
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