A arbitragem segue sendo a principal pauta prévia ao jogo decisivo do Campeonato Gaúcho. No domingo (8), Grêmio e Internacional se enfrentam às 18h, no estádio Beira-Rio, em um jogo que já tem o ambiente muito carregado por reclamações públicas e formais de ambas as direções.
Desde o início desta semana, as direções de Grêmio e Inter optaram por movimentos nos bastidores com o objetivo de gerar posicionamento institucional antes do duelo decisivo. Pelo lado do tricolor, houve o envio de um documento para a CBF, solicitando a presença de um membro da entidade para garantir a tranquilidade do trabalho da equipe de arbitragem.
O Inter, por outro lado, já emitiu notas oficiais contestando decisões de Anderson Daronco no jogo de ida e reclamando do critério dos árbitros. Diante disso, a FGF (Federação Gaúcha de Futebol), através do presidente Luciano Hocsman, também se posicionou publicamente.
FGF emite nota após pressão de Grêmio e Internacional
Na manhã desta quinta-feira (5), o presidente da FGF emitiu o seguinte pronunciamento:
"Como presidente da Federação Gaúcha de Futebol, recebi com profundo descontentamento as declarações que colocam sob suspeita a arbitragem gaúcha e insinuam a necessidade de fiscalização externa das entidades nacional e internacionais responsáveis pelo ecossistema do futebol no mundo.
O direito de reclamar é legítimo. O que não é aceitável é ultrapassar os limites do respeito institucional e tentar desacreditar profissionais e instituições que construíram, ao longo de décadas, a credibilidade do futebol gaúcho.
No futebol é permitido questionar as decisões tomadas tanto no campo do jogo quanto administrativas. O INADMISSÍVEL é colocar em dúvida não apenas as instituições, mas a honra, o caráter e moral das pessoas, sem medir as consequências que tais insinuações são capazes de gerar.
Confesso minha preocupação com o rumo desse tipo de discurso. Atualmente, vivemos num mundo de permissividade, onde a busca pelo engajamento, pela lacração, pelo "joinha" fez com que as pessoas perdessem o senso de limite e alcance de suas falas.
Dentro deste contexto, não apenas dirigentes, mas influencers, identificados ou não, são plenamente responsáveis por suas manifestações, que acabam por dissimuladamente formar a opinião de milhares de torcedores e todos os resultados que delas advierem.
A arbitragem do Rio Grande do Sul não precisa de tutela. Precisa apenas do respeito que sua história construiu.
Árbitros gaúchos são amplamente reconhecidos no cenário nacional e internacional e costumeiramente são escalados pela CBF, Conmebol e FIFA para atuarem em jogos decisivos ou considerados de alta complexidade.
Assim, não permitirei que se tente desacreditar os profissionais da arbitragem gaúcha com insinuações que não fazem justiça às suas histórias e tampouco ao futebol do nosso Estado.
Quando se começa a atacar as instituições do próprio futebol, abre-se um precedente perigoso que nenhum clube, no futuro, estará imune.
Relembrem-se: o futebol gaúcho construiu sua grandeza com rivalidade dentro de campo e respeito fora dele.
São dois clubes campeões do mundo!
Nossa história é grande demais para ser refém de narrativas que enfraquecem o próprio jogo.
Seguiremos trabalhando com serenidade, firmeza, responsabilidade e respeito por todos aqueles que construíram e constroem, dia a dia, a força e a história do vitorioso e ilibado futebol gaúcho", diz o comunicado.
Para o jogo de volta, o árbitro escolhido pela FGF foi Rafael Klein, considerado o melhor do estado no momento e um dos mais qualificados do futebol brasileiro. Sua escolha gerou grande polêmica após o erro cometido no gol do Grêmio diante do Juventude, na semifinal, quando Pavón fez a cobrança do lateral com um dos pés dentro de campo.
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