A administração da Arena já está nas mãos do Grêmio, mas a propriedade definitiva do estádio ainda depende da resolução de questões que se arrastam há anos. Nos bastidores, existem dois caminhos possíveis para que o Tricolor se torne, de fato e de direito, o único proprietário do complexo localizado no bairro Humaitá.

A primeira alternativa é aguardar o desfecho das negociações e disputas judiciais envolvendo empresas ligadas à construção da Arena. Esse é o caminho que vem sendo seguido pelo clube nos últimos anos e que já permitiu ao Grêmio assumir a gestão do estádio antes do prazo originalmente previsto.

Como o Grêmio antecipou o controle da Arena

A mudança na administração do estádio só foi possível graças ao aporte de R$ 145 milhões realizado pelo empresário Marcelo Marques. Com o investimento, foram quitadas pendências relacionadas à construção da Arena e antecipados valores que a Arena Porto-Alegrense ainda teria a receber.

Com isso, o Tricolor passou a comandar a operação do estádio em 2025, quase uma década antes do que previa o cronograma original, que apontava a transferência apenas para 2034.

A segunda alternativa envolve R$ 101 milhões

Existe, porém, uma solução mais rápida para encerrar definitivamente a novela da Arena. O valor estimado para resolver todas as pendências gira em torno de R$ 101 milhões.

Caso essa quantia seja desembolsada por investidores ou por um novo aporte financeiro, o processo de troca de ativos envolvendo o Estádio Olímpico poderia ser concluído imediatamente. Isso faria com que o Grêmio se tornasse proprietário integral da Arena sem precisar aguardar decisões judiciais futuras.

O papel de Karagounis e OAS 26 na negociação

Atualmente, conforme os contratos assinados durante a construção do estádio, as empresas Karagounis e OAS 26 ainda possuem participação na estrutura patrimonial da Arena.

A Karagounis já demonstrou disposição para concluir a negociação com o Grêmio. No entanto, a situação envolvendo a OAS 26 continua sendo o principal obstáculo para o encerramento do processo.

Mesmo que o acordo com a Karagounis seja finalizado, o clube ainda ficaria vinculado à OAS 26 em parte da propriedade do complexo e também em questões relacionadas ao antigo Estádio Olímpico.

O que trava o acordo?

O principal impasse está ligado às responsabilidades deixadas pela antiga construtora OAS. Entre elas estão:

  • Demolição do Estádio Olímpico;
  • Obras de infraestrutura no entorno da Arena;
  • Pendências tributárias relacionadas ao complexo.

A estimativa é que a demolição do Olímpico custe cerca de R$ 30 milhões. Já as melhorias urbanas previstas para a região da Arena foram avaliadas em aproximadamente R$ 65 milhões.

Entre as intervenções previstas estão o prolongamento da Avenida A.J. Renner e a conclusão de trechos da duplicação da Avenida Padre Leopoldo Brentano.

Além disso, existe uma dívida de aproximadamente R$ 6,6 milhões em IPTU relacionada à área do antigo estádio na Azenha.

Justiça ainda discute responsabilidade pelas obras

As obras do entorno seguem sendo tema de disputa judicial. Uma das decisões recentes determina que a obrigação de executar os trabalhos seja convertida em pagamento financeiro.

Na prática, isso significa que os responsáveis poderão ser obrigados a indenizar os custos das intervenções em vez de realizá-las diretamente.

Em outra frente, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que os recursos destinados ao pagamento dessas melhorias devem ser liberados fora da recuperação judicial da antiga OAS. Apesar disso, a situação ainda não foi completamente solucionada.

Grêmio acredita em acordo antes de 2034

Mesmo com a complexidade do caso, a direção gremista trabalha com a expectativa de que a situação seja resolvida antes de janeiro de 2034.

A data é considerada importante porque, pelas regras atuais, a partir desse período a administração da Arena poderia voltar a envolver os proprietários do complexo caso a troca definitiva não tenha sido concluída.

Por isso, o clube também avalia medidas jurídicas para acelerar o processo e garantir a posse integral do estádio.

Outra pendência ainda existe

Além das questões diretamente ligadas à Arena, há uma cobrança judicial envolvendo a antiga OAS referente à compra de um terreno onde foram construídos empreendimentos residenciais próximos ao complexo.

O valor supera R$ 26 milhões e é reivindicado por entidades ligadas aos Círculos Operários do Rio Grande do Sul. No entanto, essa disputa específica não é considerada um fator capaz de impedir o avanço das negociações envolvendo a Arena.

Enquanto as conversas seguem nos bastidores, o Grêmio continua administrando o estádio e trabalhando para transformar a Arena em um patrimônio totalmente seu nos próximos anos.